A onda de crimes cometidos por jovens adolescentes vem aumentando substancialmente a cada mês. Entretanto, as leis demonstram não acompanhar o mesmo ritmo. Enquanto juristas e educadores debatem sobre as conseqüências da redução da maioridade penal, jovens criminosos seqüestram, traficam e matam debaixo das barbas da sociedade. O caso ocorrido no último dia 15 de novembro no Guarujá, cidade do litoral paulista, demonstra o grau de descrença acerca das leis brasileiras. É insano imaginar que uma garota de dezesseis anos, depois de dirigir sem habilitação e atropelar três pessoas, é dispensada pelo delegado com a alegação de que não pode perder uma viagem marcada para os EUA.
O Brasil necessita urgentemente rever suas leis criminais, precisa para ontem a criação de novas leis que extermine de uma vez por todas esse câncer que é a impunidade. A sociedade clama por justiça.
É hipocrisia um jovem de dezesseis anos não poder tirar Carteira Nacional de Habilitação, quando a maioria já dirige desde os treze anos de idade. É um equívoco não se pensar numa punição exemplar para adolescentes, uma vez que os jornais noticiam, diariamente, crimes hediondos cometidos por menores de idade.
É impossível pensar no desenvolvimento de um país que não pune seus transgressores, seja ele quem for, seja qual classe social pertencer. O fim da impunidade é o caminho para a mudança da cultura “tudo acaba em pizza” que corrói os alicerces do país. A redução da maioridade penal é uma injeção (ainda que em pequena dose) de esperança para a sociedade brasileira.
Enquanto educadores e juristas surfam entre hipocrisias e equívocos, a onda de crimes cometidos por adolescentes cresce a cada verão, fortalecendo o bandidismo e empurrando a sociedade para esse profundo oceano que é a impunidade.
2 comentários:
Olá Mieli
Pertinente suas observações sobre impunidade e obsolescencia das leis. Você escreveu sobre um lado importante da questão. Dentre os diversos elementos que participam dessa complexa problemática está a crise de valores e o desfacelamento das referências éticas, o que contribui tanto para a eclosão da violência, quanto para a impotência da lei. E procurar subsídios para analisar essa questão é lenha, meu amigo.
contudo, mais uma vez, gostei do seu texto. Parabéns!
Querido Mieli,
Concordo plenamente com o que você disse, se um adolescente de 16 tem o direito de votar, ele também tem que ter outros tipos de responsabilidades sociais!
Enfim, meu amigo, a cada dia vemos mais impunidade e menos respeito com a população.
Adorei seu texto!
Se cuida!
Beijos
Carol
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