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sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

Celular: símbolo da vida contemporânea

Já reparou que sempre quando uma pessoa atende o celular a primeira pergunta que ela ouve é onde você está? Não basta ser encontrada de maneira imediata, a pessoa tem que passar coordenadas precisas de onde atende o chamado, estou na Radial Leste, próximo ao Belenzinho, passando pela ponte...
Certa vez, dentro do ônibus, uma senhora conversava pelo celular:
− Olha tô na Av. Paulista, tá chovendo muito e fazendo o maior trânsito, ouve - colocando o aparelho na janela do ônibus - viu só?
(Acabou a bateria e não soube o motivo da ligação)
Celular é um vício. Tem gente que não sabe mais viver sem, tem gente que tem vários aparelhos, um para combinar com cada tipo de roupa. Tenho uma amiga que trabalha com o celular em cima da mesa, ela abre e fecha o aparelho a cada cinco minutos, policia para garantir que não perdeu nenhuma chamada (sempre ouve a inevitável piadinha: sabe quem ligou pra você?).
Aqueles que não precisam de celular, não têm desculpa para não comprar um: os aparelhos vêm com game, máquina fotográfica, rádio e até computador dando acesso à internet.
Telefone celular é uma tentação. Uma vez, na fila do banco, uma garota discutia pelo telefone com o namorado, travava uma luta homérica, briga essa que talvez não acontecesse se ela tivesse (ou se desse) tempo para esfriar a cabeça, mas o celular estava próximo... Telefone é um perigo, porque uma pessoa não está frente a frente com a outra, assim adquire-se coragem para falar coisas absurdas.
O celular cria uma espécie de paranóia, quando toca, a pessoa acha que deve atendê-lo a qualquer custo. Outro dia, observei que uma mulher, dentro do seu carrão, dirigia e falava ao celular. Sem prestar muita atenção no volante, ela dirigia em baixíssima velocidade, causando um congestionamento enorme. Numa distância de 50 metros, percebi que outros quatro motoristas faziam a mesma coisa. Talvez essa seja uma das explicações para a causa do caótico trânsito de São Paulo.
Não gosto de telefone celular, mas vou ter que aderir a esse símbolo da vida contemporânea. Ossos do meu ofício. No entanto vou comprar um bem simples, sem acessórios, não quero me viciar também, prefiro aproveitar meu tempo para ler um bom livro ou escrever meus textos, como faço agora, ao terminar esta minha primeira crônica do ano.

3 comentários:

Kuka disse...

E eu, que esquecia o meu todo dia em cima da mesa? Rs.
Saudades
Beijos
Maíra

Anônimo disse...

Qdo comprar o celular novo, não esquece de me passar no número... quanto à paranóia da galera, espero não ter problemas com os meus alunos por causa disso. abraços

Esther Alcântara disse...

Mieli,
Parabéns pelo blog e pelas questões abordadas.
Sabe que eu tenho um amigo com quem é impossível conversar? O celular dele toca a cada 2 minutos. E, se não toca, ele não pára de olhar para o aparelho, ansioso, e não ouve ninguém.
Eu também sou adepta do modelo simples e tento usar com comedimento.

Abraços.