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terça-feira, 16 de setembro de 2008

Não esperamos sua volta


Certa vez, quando ouvia o disco V, da Legião Urbana, uma pessoa, para me provocar, comentou que Renato Russo não dizia nada com nada em suas canções. Tocava, naquele momento, L'Age D'Or e o verso era:

Contra minha própria vontade sou teimoso, sincero e insisto em ter vontade própria

“Essa letra é totalmente sem nexo, ele diz que é teimoso contra a própria vontade, depois se contradiz ao declarar que tem vontade própria”, comentou a pessoa ao ouvir o verso acima.

No entanto, no verso não há contradição, e sim um paradoxo. O narrador descreve que é teimoso, sincero e insiste em ter vontade própria porque nasceu assim, faz parte de sua personalidade e não por opção, é assim contra sua vontade própria. Talvez se pudesse escolher, mudaria seu jeito de ser.

Renato Russo, líder do grupo Legião Urbana, foi um ícone para a molecada dos 80, a geração coca-cola, na qual também fiz parte. Russo cantava exatamente o que os adolescentes da minha época queria ouvir: solidão, angústia, rebeldia e, principalmente, amor. A maioria das suas composições, narradas em primeira pessoa, dava a impressão de ter sido feita particularmente “para cada um de nós”. Cada disco novo era esperado com ansiedade, ficávamos exaltados para saber quais seriam as próximas palavras daquele que era considerado “o Messias” do rock brasuca. Não é exagero, quem foi adolescente na época sabe o que estou dizendo. Hebert Vianna, do Paralamas, disse uma vez que a Legião não era mais uma banda de Rock, tornara-se uma religião. Concordo com Hebert, a única diferença dessa religião é que o líder se foi e os adeptos não esperam sua volta, todos sabem que não haverá outro “Messias” no rock nacional.

2 comentários:

Tatta barboza disse...

BRAVO!!!
Eu como fã irremediável de Legião e Renato, concordo em nº e grau com você!
E, afinal, quem é que não luta com a sua natureza vez ou outra...
E aí? como é q tá a vida de monografia?

Tatta barboza disse...

Puxa, nada de novo?!
Deixa de preguiça homem!