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domingo, 30 de novembro de 2008

O tempo só existe se visto com a alma


A questão do tempo

O filósofo grego Aristóteles tinha o tempo como uma medida entre o anterior e o posterior, num processo objetivo, independente da consciência e quantitativo porque expressa medida de grandeza, é o Tempo Físico (natural ou cósmico).
O primeiro pensador a avançar a teoria filosófica sobre o tempo, a fim de conceituá-lo, foi Santo Agostinho:

Que é, por seguinte, o tempo? Se ninguém me perguntar, eu sei; se o quiser explicar a quem me fizer a pergunta, já não sei. Porém, atrevo-me a declarar, sem receio de contestação, que se nada sobrevivesse, não haveria tempo futuro, e se agora nada houvesse, não existiria o tempo presente (AGOSTINHO, 1996, p.322)

Num primeiro momento, Santo Agostinho afirma que passado e futuro não existem, pois aquele já passou e o outro ainda não aconteceu. Em relação ao tempo presente, este só existiria em função dos outros dois, no entanto o presente se torna tão rápido em futuro e passado que não tem nenhuma duração:

Se pudermos conceder um espaço de tempo que não seja suscetível de ser subdividido em mais partes, por mais pequeninas que sejam, só a esse podemos chamar tempo presente. Mas este voa tão rapidamente do futuro ao passado, que tem nenhuma duração (p. 324).

Assim, se existisse presente, ele seria um eterno hoje, desta forma, para o santo filósofo, o tempo é composto de fugitivos instantes.

Num segundo momento, entretanto, Santo Agostinho (1996) afirma que, embora não seja possível ver o que não existe, os fatos passados só existem quando vistos com a alma. Somente desta maneira é possível afirmar a existência de futuros e pretéritos.
(um trecho da minha monografia: A brevidade natural do tempo nos contos do livro Pouco amor não é amor, de Nelson Rodrigues).

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