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quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Os assuntos femininos são mais interessantes


Sempre gostei de conversar com as mulheres. No tempo de escola, só me juntava aos meninos para jogar futebol, mas em grupo, andava mesmo era com o sexo oposto. Isso me rendia alguma fama, ora de pegador, ora de bichinha, esta última, intriga dos machinhos que se juntavam para praticar brincadeiras sem graça, na maioria das vezes brincadeiras agressivas das quais nunca gostei.
O repertório de boa parte do público masculino versa basicamente sobre três assuntos: carro, mulher e futebol. Acontece que não entendo nada de carros, não sou aficionado pelo ronco dos motores e não vejo graça em corrida de fórmula 1. Sobre futebol pouco discuto, tenho meu time de coração e nada me faz mudar de opinião, como diz a máxima: o homem muda de roupa, de carro, de emprego, mas não troca de time de jeito nenhum (se muda, então não era de verdade). Agora sobre mulher... homem quando começa a falar muito de mulher, há uma grande chance de suas histórias serem mentirosas, aumentam tudo. Fora a cafajestagem que é contar momentos íntimos de uma transa a um bando de marmanjos, isso realmente está longe das minhas atitudes.
Gosto de conversar com as mulheres, elas conseguem falar sobre educação, novela, culinária e a crise no senado, tudo ao mesmo tempo. São mais verdadeiras, mesmo quando sonham; são sentimentais mesmo quando tomam atitudes grosseiras; são delicadas mesmo quando falam de sacanagem.
É curioso observar a rivalidade entre as mulheres, pode-se aprender muita coisa. É interessante ouvir as angústias, os anseios e o ponto de vista delas, a complexidade feminina ajuda a compreender um pouco as coisas desse mundo malucão.
O senso comum diz que a amizade entre homens é mais sincera do que entre as mulheres, será? Acho que rivalidade feminina é mais escancarada do que a rivalidade masculina, os homens não demonstram quando estão competindo. Deve ser esta a razão da fama ruim que envolve a amizade entre as mulheres.
No entanto existe um tipo de mulher que é chato conversar: a fútil. Mulher que só se preocupa com a bunda, com roupa e que se acha “a irresistível” é tão limitada de assunto quanto boa parte dos homens. E dessas, eu procuro passar bem longe.

4 comentários:

Unknown disse...

"Quando o afeto não significar
obrigação.
...Quando o amor não for entregue em um invólucro
de dever e medo
talvez eu consiga conversar com as mulheres..."

Unknown disse...

Tomé empilhava caixas. Uma após a outra ele montava pequenas torres nos fundos do depósito do supermercado. Fazia aquele trabalho há algum tempo. Era mecânico e repetitivo. Enquanto empilhava aquelas caixas sonhava com praias, garotas e algum tipo de respeito mas nem imaginava como se poderia conseguir aquilo naquelas circunstâncias . Às vezes , entre um carregamento e outro, ia ao banheiro e aproveitava para fumar um cigarro. Naquele dia havia acabado de fazer isso quando foi chamado ao RH.

Tomé desceu as escadas que ao contrário do lugar em que trabalhava eram limpas e refrigeradas. Andou mais alguns metros até chegar a sala do RH onde uma dona branca, muito maquiada, coberta de bijuterias e um longo nariz de pássaro lhe sorriu apontando um assento.

- Sente-se senhor Tomé.- Disse o pássaro – o senhor aceita um café?

-Não, muito obrigado.

- Bom, não precisa ficar com medo, é uma entrevista de rotina, para avaliar o grau de satisfação de nossos funcionários. Vou lhe fazer algumas perguntas. Seja sincero tá?

- Claro dona.

E ela começou. Se ele gostava do trabalho. Se pensava em promoção. Se o salário satisfazia suas necessidades básicas. Procurou não hesitar demais. Silêncio nestas horas é uma confissão. Tomé lia Marx, Adam Smith, Bakunin e Proudhon mas respondeu a tudo de forma convincente e risonha. O trabalho era ótimo. Em todos os aspectos. Bom mesmo. O salário também era o bastante para o que precisava.

Saiu da entrevista se sentindo muito mal, mas parecia-lhe que tinha convencido o pássaro.

Terminou o batente e mudou de roupa. No caminho até o ônibus imaginou como seria bom encontrar uma garota diferente. Alguém que não lhe cobrasse coisa alguma. Que apenas lhe desse o corpo, o sorriso e o seu tempo sobre a terra sem lhe oferecer risonha uma lamina de barbear para a extirpação do orgulho. Subiu no mesmo ônibus de sempre, cercado das mesmas caras amassadas e sentou-se no mesmo banco de todos os dias. Desceu também no mesmo lugar e viu a fachada da casa alugada em que morava sem perceber que ela estava ficando cada dia mais velha e descascada.

Entrou pelo portão de zinco a abriu a porta de madeira. Na sala sua mulher assistia a uma novela. Naquele momento desenrolava-se uma cena em que a atriz principal descobria que era traída por seu marido. Tomé escorregou pela sala após um “boa noite” mecânico, respondido de forma também mecânica.

- Amor! – Sua esposa gritou da sala enquanto Tomé virava uma cerveja recém saída da geladeira – Se chateia se eu lhe fizer uma pergunta?

- Não, pode falar – Tomé deu outra golada, esvaziou a garrafa, dando um suspiro de olhos fechados desta vez.

- Você me ama de verdade? Quer dizer, você pensa em outras garotas, sente ou já sentiu vontade de dormir com outra mulher? Se isso acontecer é melhor acabar, não importa o quanto seja bom viver com você.

Tomé parou para pensar pela segunda vez. Não podia hesitar. Já tinha lido Carl Rogers, R.D Laing, Freud, Reich, Stirner e Sartre mas respondeu sorridente que jamais tal coisa lhe havia passado pela cabeça. Deu outra golada. Sua mulher continuou assistindo a novela e Tomé entrou no banheiro. A água do chuveiro lhe caiu sobre a cabeça. Ele se sentiu limpo pela primeira vez naquele dia.

Unknown disse...

Miguelitos, me encaixo melhor na antítese...
Talvez pelo péssimo convívio que tive com minha mãe na fase adolescente, e foi tão ríspido que apagou toda lembrança da fase infatil, Tem um divã aí?

Unknown disse...

Miguelitos, estive refletindo a respeito das minhas postagens referentes a esse texto e penso que elas sugeriram um certo machismo. Como repudio comportamentos machistas resolvi "por os pingos nos is". Amo minha mãe, amo minha esposa, amo minha irmã. Os gregos tinham muitas palavras para o amor, "eros" o amor dos casais, "philia" o dos amigos, e "ágape" o dos afetuosos. Não sou poligâmico, posto que, meu "eros" está restrito a minha esposa, no "ágape" tenho feito minhas melhores ofertas. Sempre que posso (e posso sempre) manifesto meu carinho e afeto por minha mãe (a tempos passou a mágoa do adolescente rebelde sem causa) por minha mana e por minha esposa, alias a todos os quais consigo amar (desejaria amar a todos mas...). Philia, como já escrevi, é o amor da amizade. A amizade implica em boas conversas, se os diálogos forem ruins a amizade não se assenta, penso até que não existem conversas ruins, o fato de os interlocutores divergirem de opinião não torna uma conversa ruim, ruim fica quando um dos dois (ou os dois), expressam opinião de forma imperativa. Infelizmente com minha mãe foi assim, mas o amor é imortal...O amor acredito eu, possibilita aquilo que tantas pessoas almejam, a paz de espírito. Pode ser que o “eros” falhe (tantos casais se separam, ah o egoísmo...) pode ser que o “philia” não se assente (tanta comunicação ruim e até mesmo a falta dela), o Renato cantou: “...digam o que disserem, o mau do século é a solidão; cada um de nós imerso em sua própria arrogância e esperando por um pouco de afeição.” A fraternidade torna o amor indelével, ou ainda que ele se dissipe em suas variações, existe a possibilidade da ressurreição do amor. Longe de mim (e do meu pedantismo) querer explicar o amor se nem Sartre nem Freud conseguiram até por que, o amor é inexplicável.